Saúde pode usar app para cadastro de pessoas com comorbidades no DF

0

Comitê da Secretaria de Saúde deve se reunir hoje para definir detalhes sobre o atendimento a pessoas com doenças crônicas. No encontro, Ministério Público apresentará propostas para identificação desse grupo, mas não há data para início da imunização

SS
Samara Schwingel
AM
Ana Maria da Silva
LP
Luana Patriolino
Nessa terça-feira (6/4), reuniram-se gestores da Secretaria de Saúde (SES-DF) e integrantes do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) -  (crédito: Divulgação/MPDFT)
Nessa terça-feira (6/4), reuniram-se gestores da Secretaria de Saúde (SES-DF) e integrantes do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) – (crédito: Divulgação/MPDFT)

O Distrito Federal tem cerca de 150,1 mil pessoas com doenças crônicas consideradas comorbidades — condições de saúde que podem agravar um possível caso de infecção pela covid-19. O grupo se encontra entre as prioridades do plano distrital de imunização contra a doença. Embora os dados sejam de 2013, eles servem como parâmetro para as previsões da Secretaria de Saúde (SES-DF). Nesta quarta-feira (7/4), o Comitê de Operacionalização da Vacinação do DF deve se reunir para traçar estratégias de atendimento a esse público, sem data para começar. Enquanto isso, a aplicação em idosos com 66 anos segue paralisada. A pasta espera receber, na quinta-feira (8/4), mais 10 mil doses do Governo Federal.

O comitê pretende analisar três formas de identificar esse público-alvo: o cadastro de pacientes com comorbidades nas unidades básicas de saúde (UBS); a criação de uma plataforma na qual o grupo anexará laudo médico que atesta o tipo de doença crônica em questão; por fim, com dados do Sistema Único de Saúde (SUS), a SES-DF exclui pessoas já vacinadas — pela faixa etária ou pela profissão —, chegando a uma lista final das pessoas que farão parte do novo grupo. As opções foram apresentadas na terça-feira (6/4), durante reunião da secretaria com o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Apesar do plano inicial, os responsáveis pelo comitê devem avaliar outras estratégias.

Henrique Pereira, 52 anos, tem diabetes e deficiência renal. O analista de redes afirma que está em casa desde o início da pandemia e ansioso para se vacinar. “Até as compras de mercado faço por delivery, pois não quero me expor. Inclusive, tenho receio de ir ao hospital fazer meus exames de rotina”, relata. Para ele, a sensação de estar mais perto da vacina, ainda que sem data definida, aumenta as expectativas. “Sabemos que ela está ali, mas ainda não temos acesso. Não chega nossa vez nunca”, cobra o morador do Jardim Botânico.

Representantes da SES-DF informam que a vacinação desse grupo provavelmente ocorrerá sem necessidade de marcação. O aposentado Fábio Oliveira, 63, tem diabetes e pressão alta. Ele conta que segue à espera de uma vacina eficaz, para viver com tranquilidade. Contudo, o morador do Lago Norte critica o andamento da campanha de imunização no Distrito Federal. Para ele, o atendimento de pessoas com doenças crônicas deveria estar entre as prioridades iniciais. “Se a pessoa tem comorbidade, precisa ter preferência, porque pode parar na UTI (unidade de terapia intensiva) muito mais facilmente”, considera.

Os gestores da secretaria reforçaram que as comorbidades consideradas serão as previstas no Plano Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde. São elas: diabetes mellitus, hipertensão arterial grave, doença pulmonar obstrutiva crônica, doença renal, doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, indivíduos transplantados de órgão sólido, com anemia falciforme, câncer, HIV, síndrome de down e obesidade grave.

Trocas

A SES-DF alterou o comando do Comitê de Operacionalização da Vacinação contra covid-19, nesta semana. Portaria publicada em edição extra do Diário Oficial (DODF) de segunda-feira (5/4) reduziu a estrutura do grupo. O cargo ocupado pelo secretário-adjunto de Assistência à Saúde, Petrus Sanchez, passa a ser do subsecretário de Vigilância em Saúde, Divino Valero. Agora, apenas um integrante de cada uma das quatro subsecretarias da pasta passa a fazer parte da equipe. As decisões foram votadas na quinta-feira (1º/4).

Mais de 313 mil imunizados

O agente de trânsito Francisco Lemos conseguiu se vacinar em 10 minutos, no Guará -  (crédito:           Ed Alves/CB/D.A Press                          )
crédito: Ed Alves/CB/D.A Press

O Distrito Federal soma 313 mil vacinados contra a covid-19. Dados do mais recente boletim sobre a vacinação no DF, divulgado pela Secretaria de Saúde (SES-DF), mostram que 3.029 pessoas receberam a primeira dose, e 2.934 a segunda, na terça-feira (6/4). No total, houve uma aplicação em 313.763 pessoas, enquanto 87.214 contaram com o reforço.

Profissional de saúde e executivo de negócios Fábio Melo, 34 anos, é um dos que podem respirar mais aliviados. Na segunda-feira (5/4), ele recebeu a segunda dose da vacina, na Unidade Básica de Saúde (UBS) nº 4 do Guará. A aplicação da primeira ocorreu em Manaus, à época em que os hospitais amazonenses estavam superlotados. “Fui ajudar as equipes oncológicas no período em que as áreas de saúde estavam sendo vacinadas, independentemente do segmento. Por isso, consegui”, conta.

Na segunda-feira (5/4), teve início a imunização dos profissionais de segurança pública. Há cerca de 2 mil doses destinadas a esse público, segundo a SES-DF. Até o momento, o Distrito Federal recebeu 564.440 unidades de vacinas do Ministério da Saúde, sendo 474.190 (84%) da CoronaVac, e 90.250 (16%) da Covishield, da Oxford/AstraZeneca.

O agente de trânsito Francisco Lemos da Cruz, 57, conseguiu receber a primeira dose em 10 minutos, na UBS nº 4. Morador de Planaltina, ele conta que o período de espera para ser vacinado foi preocupante, principalmente porque continuou no trabalho presencial. “Nós (agentes de trânsito) estamos correndo risco. No mês passado, oito colegas nossos contraíram a covid-19. Um deles teve quadro grave. Vez ou outra, aparece um (agente infectado), e a gente vai se protegendo como pode e deve”, comenta. “(Após a vacinação,) a preocupação diminui um pouco. Mas vamos manter os cuidados com a segurança, para não se infectar e transmitir o vírus para alguém. A população deve se proteger o máximo que puder, acreditar na ciência e seguir os protocolos de segurança”, completa.

Tags

Deixe o seu comentário