Professores formam maior bancada na CLDF

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Seis dos 24 distritais eleitos em outubro são professores, mas eles não falam em formação de bloco, por pensarem muito diferente

PG Pedro Grigori – Especial para o Correio
postado em 20/11/2018 06:00 / atualizado em 19/11/2018 22:13
Cláudio Abrantes (PDT)(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
Cláudio Abrantes (PDT)
(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
Destinação de emendas para reformas estruturais em escolas é a prioridade dos seis deputados distritais eleitos que trabalham na área da educação. Com o grupo vindo das forças de segurança, eles serão a categoria profissional mais numerosa na Câmara Legislativa (CLDF), a partir de janeiro. Mas, por saírem de partidos e grupos ideológicos distintos, os educadores podem ter dificuldades de dialogar e não pretendem se unir em uma frente parlamentar única.

Os professores Reginaldo Veras (PDT), Leandro Grass (Rede), João Cardoso (Avante), Daniel Donizet (PRP), Jorge Vianna (Podemos) e Cláudio Abrantes (PDT) ainda não fizeram uma reunião. Nenhum fala em formação de bloco. Eles visam espaço na Comissão de Educação, Saúde e Cultura da Câmara, e com visões distintas devem bater de frente caso pautas como o Escola sem Partido, defendida pelo governador eleito Ibaneis Rocha (MDB) durante campanha, volte ao debate na CLDF.

Professor de sociologia, Leandro Grass considera o Escola sem Partido “uma cortina de fumaça dentro do debate educacional”, para tirar a atenção de pautas mais importantes. “É um projeto inconstitucional, que acaba sendo apenas mais um exemplo da moralização que ocupou o debate político. Deixamos de debater temas estruturais e orçamentários para tratar de perspectivas morais”, afirma o distrital eleito. Grass é totalmente contrário ao projeto, assim como os colegas pedetistas.

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O professor de geografia e distrital Reginaldo Veras foi o relator do PL 01/2015, de Sandra Faraj (SD), que instituía o Escola sem Partido no DF. “Para o azar dela, o projeto caiu na minha mão, e fiz o relatório pela rejeição que é referência no Brasil. O texto é uma aberração constitucional, fere a liberdade de expressão e as diretrizes educacionais. É uma idiotice e imbecilidade”, ressalta.

O pedetista completa dizendo que o Escola sem Partido é um projeto aprovado apenas por aqueles que “não botam mais o pé na escola”, e que, caso o projeto volte ao debate, ele irá se posicionar contrário mais uma vez. O correligionário Cláudio Abrantes, professor de matemática e física, pensa igual. “O professor tem que ter a sua liberdade preservada”, destaca.

O distrital eleito Daniel Donizet, professor de informática nas redes pública e privada, discorda dos futuros companheiros de Casa. “Sou totalmente a favor do Escola sem Partido. Na escola, os professores têm que ensinar as matérias, como português e matemática, deixar a educação sexual para os pais cuidarem”.
Infraestrutura e ensino
Tema polêmico na atual gestão da CLDF, o Plano Distrital de Educação (PDE) deve voltar à atenção. Os novos distritais pretendem cobrar e fiscalizar a execução do documento aprovado no Legislativo em junho de 2015. “O texto traz uma política definida com metas e objetivos para a área da educação. Precisamos acompanhar a execução, o que, na minha visão, não tem sido feito pela CLDF”, afirma Leandro Grass. O documento traz os nortes para o ensino do DF até 2024.

Para Reginaldo Veras, a prioridade é o investimento na infraestrutura dos colégios. “Fui o distrital que mais enviou emendas para a construção e reformas de escolas, e vejo que um dos novos principais focos deve ser na melhora das estruturas físicas, que vai da construção de laboratórios de informática a teatro e quadras poliesportivas”.

O tema é prioritário também para Donizet. “Precisamos modernizar as salas de aula e estudar a implantação de um ensino integral. Durante a manhã, os alunos estudam matérias como português e matemática, e, no horário contrário, matérias extracurriculares, como educação moral e cívica e empreendedorismo”.

Cláudio Abrantes destaca a valorização profissional como pauta prioritária. “O reconhecimento do servidor vai além da questão salarial. Temos professores doentes por não terem condições de trabalho. E isso passa desde dar aulas para turmas superlotadas até os professores terem o seu direito de liberdade e autonomia contestados”.

O Correio tentou entrevistar os distritais eleitos Jorge Vianna e João Cardoso, mas não obteve retorno deles até o fechamento desta edição.

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