Iphan barra nova versão de escudo antidrones em palácios presidenciais

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Após torre de 20 metros na laje do Palácio do Planalto ser vetada, equipe do general Heleno tentou opção de 1,5 metro, mas não há acordo

ATUALIZADO 07/08/2020 8:14

drones iphanREPRODUÇÃO
OInstituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) voltou a frustrar os planos do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) de instalar antenas para criar um escudo antidrones nos palácios do Planalto, da Alvorada e do Jaburu. Em novo parecer protocolado nesta quinta-feira (6/8), um dia após o Metrópoles revelar o embate para instalar as torres nos monumentos, a área técnica do órgão considerou que a instalação de estruturas menores do que as planejadas inicialmente, de até 20 metros, também ferem o tombamento.

O órgão comandado pelo general Augusto Heleno está tocando o “Projeto de Proteção das Instalações Presidenciais (ProPR)”, mas esbarrou na resistência do Iphan e está com a missão, pela qual está pagando R$ 2,49 milhões, parada desde abril deste ano.

Foi quando um primeiro parecer rejeitou a ideia de se instalar estruturas de 20 metros no teto do Palácio do Planalto (mesma altura do prédio), de 10 metros no Palácio da Alvorada, a residência oficial do presidente da República, e de 6 metros na laje do Palácio do Jaburu, morada do vice.

A nova versão, recém-rejeitada, prevê antenas menores, de 5 metros nos palácios-residência e de 1,5 metro no prédio que fica na Praça dos Três Poderes. Por causa do tamanho reduzido, porém, a empresa Segurpro Tecnologia em Sistemas de Segurança previu a necessidade da instalação de duas dessas antenas menores (simulação na imagem em destaque).

O novo parecer estava com acesso restrito no processo administrativo até o fechamento desta reportagem. Segundo a assessoria de comunicação do Iphan, porém, trata-se de uma burocracia técnica.

“O documento mencionado está classificado no Sistema Eletrônico de Documentos-SEI/IPHAN como Acesso Restrito por se tratar de Documento Preparatório. Tal classificação é apenas momentânea e será dado o acesso ao mesmo quando finalizados os procedimentos de análise correspondentes”, informou o órgão.

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Vulnerabilidade

Fontes com acesso ao processo garantiram ao Metrópoles que o parecer é novamente pela rejeição. A decisão foi tomada apesar da pressão que tem sido feita pela equipe de Heleno, que apela para questões de segurança nacional e para a urgência de se corrigir uma “vulnerabilidade para a atividade de segurança das mais altas autoridades do Poder Executivo”.

Procurado pela reportagem, o GSI repetiu que cabe à empresa resolver o problema. “Informamos que a Segurpro Tecnologia em Sistemas de Segurança, por exigência do processo licitatório, deve apresentar uma solução adequada às exigências do Iphan, por tratar-se de área tombada”, destacou o órgão, em nota.

As antenas fazem parte de um sistema de detecção e interceptação de possíveis drones hostis na região central de Brasília. Pelo contrato, a empresa vai também treinar servidores do GSI para operar o sistema.

Se um objeto entrar no radar, o sistema pode cortar sua comunicação com o controlador e desviar sua trajetória.

Arquitetura

A revelação pelo Metrópoles dos planos do GSI alarmou os admiradores da obra do arquiteto Oscar Niemeyer. Veja o protesto de um perfil no Instagram dedicado a mostrar a obra do artista, morto em 2012.

A postagem, feita em inglês e português para 89 mil seguidores, lamenta não ser uma piada a ideia de instalar as torres nos palácios presidenciais.

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