Família é vítima do Homem Pateta e aciona a PCDF: “Logo você o verá morto”

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O homem, que se comunicava em inglês, conversou com uma criança pelo celular da mãe, enquanto ela dormia

A família da cirurgiã-dentista Camille Vanini, 36 anos, passou por uma experiência traumática. Tudo começou no último sábado (27/06), quando o filho de Camille viu reportagens sobre o “Homem Pateta”, que estaria incentivando crianças a cometer suicídio.

O garoto de 10 anos, que não tem rede social, pegou o celular da mãe no momento em que ela dormia e, por meio do Instagram de Camille, passou a enviar mensagens a um dos perfis referentes ao personagem. O homem, que se comunicava em inglês, conversou com a criança. Durante o diálogo, ele dava um tempo para que as respostas fossem enviadas. O suspeito exigia que o menino permanecesse conversando durante o dia todo.

Como ficou tarde, a criança acabou dormindo. A mãe conta que pegou a mensagem no celular e levou um susto. “Estou estudando durante todo o dia, não consegui ver o noticiário. Confesso que não fazia ideia do que era o homem pateta. Quando vi que alguém estava mandando mensagem, a primeira reação que tive foi pedir desculpas. Afirmei que o meu filho estava com o celular e que ele não deveria incomodar as pessoas. O grande problema foi quando o homem respondeu”, detalhou Camille.

A família já morou no exterior e todos falam inglês. Foi nesse idioma que mãe e filho se comunicaram com o perfil falso. O homem, ao ler a justificativa da dentista, enviou uma mensagem ameaçadora: “Deixa ele jogar comigo. Logo depois você o verá morto. Cuide do seu filho ou eu vou fazê-lo se matar”.

Confira a tradução:

-Olá, fale, eu vou bloquear você ou fale agora, você tem 10 minutos
Hahaha

– Oi Pateta
– Eu gostaria de pedir desculpas pelo meu filho
– Ontem, eu estava dormindo e ele pegou meu celular e brincou/jogou com você
– Ele tem 10 anos e eu sou obcecada por ele
– Mais uma vez, por favor, desculpa

– Deixa ele jogar comigo
– Logo depois você o verá morto
– Cuide do seu filho ou eu vou fazê-lo se matar

Polícia investiga
Preocupada, a mãe procurou a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) para registrar ocorrência. Os policiais também colheram o depoimento do garoto.

A família conta que a rotina da casa mudou completamente. A criança, que costumava brincar e era muito comunicativa, agora está introspectiva. A mãe buscou ajuda de psicológicos.

“Meu filho explicou que a intenção dele era ‘prender’ o homem pateta, para que ele não pudesse ferir mais ninguém, e acabou sendo atingido por esse psicopata. O caso é grave, não precisa ser especialista para identificar que muitas contas falsas começaram a surgir no Instagram. Assim como ele falou com o meu filho, e tive a sorte de perceber rapidamente, ele pode estar falando com mais crianças”, alerta Camille.

A cirurgiã-dentista ressalta, ainda, que as empresas responsáveis pelas redes sociais precisam tomar uma iniciativa com relação ao caso.

“A internet virou terra de ninguém, empresas como o Instagram precisam tomar uma iniciativa para ajudar a proteger vidas. Eu trabalho com atendimento sociais, a minha especialidade é em odontopediatria. Fazemos trabalhos sociais a favor da proteção e promoção das crianças e isso foi acontecer dentro da minha casa, com o meu filho”, desabafou a mãe.

Ameaças
Esta não é a primeira vez que o uso das redes sociais se torna uma ameaça a meninos e meninas, preocupando pais e responsáveis. Em 2017, o desafio da baleia azul, surgido em uma rede social russa, viralizou entre jovens e foi associado a uma onda de suicídios entre crianças e adolescentes.

Não é só a Polícia Civil do DF que está com o Homem Pateta na mira. O Ministério Público Federal foi acionado para investigar o perfil. O pedido partiu do vice-presidente da Câmara Legislativa do DF, Rodrigo Delmasso (Republicanos), que solicitou ainda a retirada do conteúdo da internet e multa de R$ 1 milhão ao responsável: o valor será revertido a instituições que cuidam de crianças e adolescentes abandonados.

Além disso, o Facebook Brasil está ciente do caso e tomando providências. “Páginas falsas ou com conteúdos que incentivem a automutilação estão sujeitas à remoção. A rede social também disponibiliza o seu Portal para Mães e Pais, com dicas para o uso e segurança na internet”, declarou a empresa ao Metrópoles, por meio de nota.

Além de cruel, esse tipo de conduta é considerada é crime no Brasil. De acordo com Lei nº 13.968, aprovada no ano passado, induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou a praticar automutilação pode gerar uma pena de 6 meses a 6 anos de prisão.

Como proteger seu filho
Veja algumas atitudes que podem ser adotadas pelos pais:

Privacidade
Há aplicativos que monitoram o tempo, o local de acesso, e são capazes de bloquear aplicativos e sites. Eles são indicados para que os pais possam acompanhar os sites e ferramentas utilizados pelos jovens e filtrar conteúdos inadequados. É possível, por exemplo, bloquear conteúdos que tenham ligação com termos como Jonatan Galindo ou Baleia Azul, duas ameaças aos pequenos.

Tempo de tela
Apesar de não haver regra sobre o tempo ideal de exposição de telas para menores, o uso de smartphones, televisão ou computador não deve ser excessivo. Os pais e responsáveis devem monitorar e avaliar o período em que os pequenos utilizam a tecnologia.

Etiqueta virtual
É importante ressaltar a eles que palavras e discursos compartilhados digitalmente impactam tanto quanto o que é dito pessoalmente. Desse modo, comentários e discursos ofensivos podem trazer consequências reais para a vida de quem escreve e de quem lê.

Tipo de uso
Evitar longos períodos em frente a telas é essencial para manter a saúde mental e física das crianças e adolescentes. A sugestão é dividir o tempo de navegação na internet entre o período produtivo e improdutivo. A internet oferece inúmeras ferramentas educativas capazes de estimular habilidades e ajudar nos estudos.

As dicas, compartilhadas ao Metrópoles, são de especialistas da escola de programação Code Buddy, que dá aulas de tecnologia para crianças e adolescentes.

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