Falíveis

0

Quando a mortalidade não deixa a longevidade se esquecer de sua fragilidade.

Agatha Lemos.

Digamos que o último ano não tenha sido tão tranquilo para mim sob um aspecto muito particular: a saúde. Problemas inesperados surgiram trazendo dúvida e inquietação por muitas vezes. Felizmente, nada que não fosse administrável. Fibromialgia, intolerância à lactose e cálculo renal. Ufa! Tudo isso em apenas um ano pode ser desesperador! Não que sejam doenças para morte, mas são desafios crônicos que causam reviravoltas inconvenientes.

São as ausências do trabalho, são medos antes não experimentados, são pressões e inseguranças sobre mais uma reconfiguração do estilo de vida. Mas já não estava tudo bem? Exercício físico, dieta balanceada, sono em dia? Você já não estava fazendo sua parte?

É… A vida tem dessas coisas. Você se cobra, abstém-se, exige cada dia um pouco mais e ainda assim é traído pela condição expressamente humana de corruptibilidade, de inconsistência e garantias que podem não existir. É a mortalidade que não deixa a longevidade se esquecer de sua falibilidade.

Confesso que não é fácil para uma pessoa que milita sobre saúde, que dedica seu tempo e sua convicção à divulgação da qualidade de vida, sucumbir tantas vezes frente a agentes estranhos, indesejados.

E foi então que, avaliando meu orgulho ferido, de quem foi pega naquilo em que tanto preza, que me coloquei um pouquinho no lugar da classe masculina. Longe de mim causar qualquer desconforto com estereótipos contestáveis, afinal de contas, nos dias de hoje, temos que ser melindrosos para não ferir sensibilidades.

A questão é que, queiramos ou não, os homens têm lá suas diferenças. E ainda pode ser difícil para um “macho alfa” aceitar determinadas fragilidades. Acho engraçado que, para as mulheres, ir ao médico é algo quase que rotineiro. Por outro lado, vejo meus amigos adiando ao máximo uma consulta. A tosse pode ser insistente, a cabeça arder todo dia. Queimação no estômago, olhos irritados, dor nas costas… a lista é grande. Só quando a dor é mesmo insuportável que se pensa em ajuda especializada. Antes disso, a vida segue normalmente. A gripe não impede o futebol nem o cansaço invalida a confraternização.

Sabe, até acho bacana o fato de os homens não se impressionarem tanto com qualquer sintoma. Mas também fico preocupada com possíveis negligências, especialmente em pontos de ordem psíquica e emocional.

Se já é difícil convencê-los sobre incômodos físicos e palpáveis, imagine sobre eventos que se dão no mundo imaterial. Contudo, não podemos negar de nós mesmos e daqueles que amamos o cuidado devido.

É verdade que isso não resolve o problema essencial: nossa condição mortal. Vamos continuar nos cuidando, mas também vamos continuar adoecendo e, por mais que façamos tudo certinho, ainda assim, um dia partiremos. Triste, não?

Nossa busca por saúde e longevidade pode terminar aqui, mas o sonho pela vida eterna se efetiva no sacrifício de Cristo e em todas as promessas trazidas nEle. “Ele tomou sobre Si nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre Si… O castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e, pelas Suas pisaduras, fomos sarados” (Isaías 53:4, 5).

Um dia, Deus Se fez homem, habitou entre nós, sujeitou-Se também ao estado passageiro. Muito mais do que uma febre que vem e vai, Ele resolveu uma questão até então impossível para nós. Ele venceu onde falhamos e agora nos oferta as vitórias conquistadas por Seus méritos. Jesus é pura saúde. Que tal descobrir com Ele o que é ser verdadeira e integralmente são?

Agatha Lemos é editora associada de Vida e Saúde

Deixe o seu comentário