Em Brasília, família de diplomata se desespera com explosão em Beirute: “Perdeu tudo”

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Um dos brasileiros que teve a casa destruída com o episódio tem um filho que mora na Vila Planalto, mas ainda não fez contato com o herdeiro

Explosão poro Líbano BeiruteHUSSEIN MALLA/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

ATUALIZADO 04/08/2020 18:40

forte explosão em uma região portuária de Beirute, no Líbano, não gerou pânico apenas nos moradores daquela localidade, mas também no Distrito Federal. A família de Roberto Salone, diplomata brasileiro que está em missão oficial naquele país, relatou momentos de desespero, nesta terça-feira (4/8), para conseguir notícias do servidor do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Moradora da Vila Planalto, Leiliane Rebouças é mãe de Fernando Rebouças Salone, herdeiro do diplomata, e relatou ao Metrópoles a angústia de contar ao filho de 13 anos sobre o episódio ocorrido na Ásia Ocidental, às vésperas do Dia dos Pais.

“Eu fiquei superaflita, porque o pai do meu filho é diplomata em Beirute. Ele mora (morava, né? Porque o apartamento ficou destruído) a três quilômetros do Porto. Mas, graças a Deus, não saiu ferido”, conta Leiliane à coluna.

De acordo com a bacharel em Relações Internacionais, toda a família ficou aflita até receber notícias de Roberto Salone. “Meu filho ficou assustado pensando que o pai dele poderia ter se ferido. Ele foi o único diplomata que perdeu praticamente tudo com a explosão. Pelas informações que tivemos, ele não sabia nem onde iria dormir esta noite”, emenda.

“Perdeu tudo, não sobrou nada”

Roberto Salone é o responsável pela área de negócios da Embaixada do Brasil em Beirute. Antes do Líbano, o diplomata atuava no escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) em Genebra, na Suíça.

“Conseguimos falar primeiro com a irmã do pai dele, e ela disse que Roberto perdeu tudo, não sobrou nada”, revela Leiliane. “Também soubemos pelos jornais internacionais de que ele estava bem. A notícia que tivemos foi que havia centenas de feridos e foi o que mais nos assustou. Por sorte, nenhum brasileiro se machucou”, completa.

De acordo com o Itamaraty, não há notícias de brasileiros feridos. A Embaixada do Brasil em Beirute teve os vidros quebrados na explosão.

“Já pensou se acontecesse algo com o pai do meu filho na semana do Dia dos Pais? Até falei para ele: Fernando, você tem de rezar hoje, porque seu pai está bem e vivo. Agora, está tudo bem”, conclui ela, com alívio.

Por volta das 18h, em novo contato com a coluna, Leiliane informou ter conseguido conversar com o ex-companheiro. “Acabei de falar com o Roberto. Ele disse que a casa deles está arruinada, mas o importante é que estão vivos”, ressalta.

Explosão

Era por volta de 12h30 no Brasil, 18h no horário local, quando uma forte explosão ocorreu na região portuária de Beirute. Ainda não se sabe o que causou a explosão. O presidente libanês, Michel Aoun, marcou encontro com o Conselho Supremo de Defesa do país para uma reunião de emergência no Palácio Baabda, sede do governo local, e convocou o Exército.

As autoridades do Líbano começam a contabilizar as vítimas da tragédia que assolou Beirute. Segundo a agência estatal de notícias do país (NNA), com informações do Ministério da Saúde local, são 50 mortos e mais de 2,7 mil feridos.

O galpão que centraliza as suspeitas da explosão funcionava desde 2014. As forças de segurança locais acreditam que materiais explosivos estavam guardados no armazém. Inicialmente, ocorreram explosões menores e, logo em seguida, uma de maior intensidade.

O primeiro-ministro do Líbano, Hassan Diab, disse em entrevista à imprensa local que “responsáveis vão responder pela grande catástrofe e que fatos sobre o depósito serão revelados”.

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