Com 12% de umidade, brasilienses ignoram pandemia e lotam lago no feriado

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Perto da Concha Acústica, muita gente fazia churrasco e se reunia sem máscara. Clima continua seco e quente até o fim da semana

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O feriado da Independência do Brasil, celebrado nesta segunda-feira (7/9), é marcado por aglomeração em diferentes pontos do Distrito Federal. Quem sai de casa nesta tarde encontra na rua um clima que destoa do esperado para um período de isolamento social em decorrência da pandemia do novo coronavírus.

Com sol quente em um dia de folga, os brasilienses lotaram locais ao ar livre, como parques e a orla do Lago Paranoá. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a temperatura chegou a 30°C e a umidade bateu os 12%.

Há os que se preocupam com o uso de máscara para se proteger da doença, mas a maioria não faz questão de utilizar o acessório. E o pior: não é raro ver várias pessoas ocuparem o mesmo espaço em comum. O item é obrigatório, desde o início de maio, para quem estiver em lugares públicos.

À beira do Lago, a reportagem flagrou festas, aglomeração, ambulantes vendendo alimentos e bebidas alcoólicas e lanchas paradas umas ao lado das outras no espelho d’água. O Metrópoles também presenciou pessoas fazendo churrasco.

Grupos distintos se reuniam próximos uns aos outros às margens para fazer piqueniques, andar de caiaque e praticar stand-up paddle. Um vendedor ambulante vendia açaí na orla do Lago, no Setor de Clubes Norte, perto da Concha Acústica.

“O local passou o fim de semana inteiro lotado. Está muito quente, e o pessoal está vindo ao lago para se refrescar na água. Mesmo com a quarentena, as pessoas não querem mais ficar em casa. Eu venho porque preciso trabalhar. O movimento está bom”, explicou o vendedor, que pediu para não ser identificado.

Ele diz que tem medo de se contaminar e, por isso, não tira a máscara. “Eu uso o tempo inteiro. Também não quero levar para dentro da minha casa.”

Índices

Uma cabeleireira de Sobradinho, que também preferiu não ser identificada, levou a família para passar o dia no lago.

“Vim com meus filhos, cunhada e sobrinhos. Nós estávamos sem ter para onde ir com as crianças no feriado e resolvemos vir tomar banho aqui na orla. Por causa da quarentena, não imaginava que estaria tão cheio. Nós estamos mais afastados para tentar não ter tanto contato com os outros. Está muito cheio. É difícil”, comentou.

De acordo com a empresa de software In Loco, que faz medições de locomoção por todo o país, o Distrito Federal teve baixos índices de isolamento social no fim de semana. No sábado (5/9), por exemplo, 37,2% dos brasilienses ficaram em casa. No domingo (6/9), o número foi um pouco melhor: 44,2% dos moradores da capital respeitaram a quarentena.

O clima também foi fator para que as pessoas fossem às ruas da capital procurar um lugar a fim de se refrescarem. Já são 105 dias sem chuva, com exceção de precipitação em pontos isolados.

“A expectativa é de que se ultrapasse o período de 113 dias sem chuva do ano passado. Além disso, há uma tendência de que ocorra chuva pontual entre os dias 21 e 22 de setembro no DF, sem localidade específica”, explicou o meteorologista Mamedes Luiz Melo.

Nesta segunda-feira (7/9), a umidade média ficou entre 12% e 13%. Para o restante da semana, os índices ficarão bem próximos a esses números. Enquanto isso, a temperatura mínima será de 14°C e a máxima, de 33°C.

Fiscalização

Durante o tempo em que a reportagem esteve nos locais, não foi constada fiscalização por nenhum órgão do GDF. Por meio de nota, a Secretaria DF Legal informou que tem atuado em todo o Distrito Federal e que, nesta segunda-feira, está concentrada na Esplanada dos Ministérios.

“Entretanto, devido ao vasto território e ao número de servidores, não é possível a fiscalização em todos os locais”, diz trecho do texto.

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