Casa Azul Felipe Augusto leva amparo e solidariedade durante a pandemia em regiões carentes do DF

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A instituição sem fins lucrativos Casa Azul Felipe Augusto tem oferecido apoio psicológico e cestas básicas para 1.200 famílias das regiões de Samambaia, Riacho Fundo II, São Sebastião e Vila Telebrasília durante a pandemia


postado em 06/08/2020 06:00

Mirian Gonçalves (E) recebe cesta básica:
Mirian Gonçalves (E) recebe cesta básica: “A Casa Azul tem me ajudado muito nesse período. Sou autônoma e a renda da casa, com três crianças pequenas, diminuiu muito”(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Uma rede de amparo e solidariedade tem se fortalecido durante o período de pandemia nas regiões mais carentes do Distrito Federal. Com as atividades presenciais suspensas desde março, para evitar a propagação da covid-19, a instituição Casa Azul Felipe Augusto tem oferecido atendimento psicológico, a distância, para as famílias atendidas pela entidade, além de entregar cestas básicas para complementar a alimentação dessas pessoas. Ao todo, cerca de 1.200 núcleos familiares das regiões de Samambaia, Riacho Fundo II, São Sebastião e Vila Telebrasília recebem o apoio.

Para a moradora de Samambaia Mirian Gonçalves Mendes Oliveira, 39 anos, a ajuda da instituição tem feito toda a diferença. “A Casa Azul tem me ajudado muito nesse período. Sou autônoma e a renda da casa, com três crianças pequenas, diminuiu muito. Eu agradeço muito o apoio deles. Está sendo crucial”, destaca Mirian. Ela conta que, além das cestas, recebeu vale-gás e verduras. “Eu sei que, por mais difícil que está sendo esse momento, alimentação não vai faltar. O alimento está muito caro. Só de não precisar tirar do pouco dinheiro que tenho, já é uma ajuda enorme”, afirma.
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De acordo com ela, mesmo com a flexibilização de alguns setores para o retorno das atividades, quem depende de vender na rua como autônomo enfrenta dificuldade. “Não podemos sair para vender, mesmo com máscara e higienização, a fiscalização fala que não pode. E tem a questão, também, que as pessoas com receio de comprar da gente. Se, antes da pandemia, conseguia R$ 50 por dia, hoje não chega a R$ 20. A gente está sofrendo”, relata.
No entanto, parte da angústia de Mirian é amenizada com o amparo psicológico que a entidade tem proporcionado. “Está sendo como um suporte, a psicóloga manda mensagem para saber como a gente está, liga… E, só de desabafar, já alivia a tensão que tem dentro da gente, porque as crianças não entendem. Elas só dizem que estão com fome, que querem comer, querem isso ou aquilo. E a gente vendo a dificuldade que é, dá um aperto”, desabafa.
Com o auxílio da instituição, o valor recebido do Bolsa Família tem dado para ajudar a pagar as contas da casa, como água e luz, além do remédio do filho especial. “Só tenho que agradecer”, afirma a mãe de Mariana, 3, Marcos, 7, e Mateus, 14.
Taciana Maria da Conceição de França, 40, moradora de São Sebastião, perdeu o emprego durante a pandemia. O corte de gastos na empresa onde ela trabalhava atingiu em cheio a servidora, que atuava no ramo de serviços gerais na Rodoviária do Plano Piloto. Com o salário apenas do marido para sustentar a família, com três filhas na faixa etária de 17, 14 e 9 anos, ela se viu por um momento sem chão. “Foi um baque muito grande. Fiquei triste, chorei, mas sou muito grata a tudo. Estou desempregada, mas viva, minhas filhas estão vivas. É isso que importa”, destaca. Segundo ela, as doações impactaram muito para garantir o sustento dentro de casa. “Existe muito amor no coração das pessoas”, pontua.
E esse amor tem feito a vida da viúva Antônia Iracilda Rodrigues da Silva, 55, menos complicada nesse momento de pandemia. “Meu filho foi diagnosticado com retardo mental e autismo severo. Não posso trabalhar e tenho apenas o auxílio do governo que ele recebe para nos sustentar. Um salário mínimo não dá quase para nada. Pago aluguel de R$ 500, os remédios dele custam R$ 378, ainda tem conta para pagar, alimentação”, relata a moradora do Riacho Fundo II.
De acordo com ela, as dificuldades são inúmeras. “A Casa Azul é um suporte muito grande, mesmo antes da pandemia. O Lucas é apaixonado pela instituição, gosta mais do que a escola. Tem dias que ele veste a roupa da Casa Azul, e tenho que lembrar a ele que não está tendo atividades”, conta, com carinho, sobre a relação de afeto com as atividades oferecidas pela entidade.

Desafios

Com tantos relatos sobre o impacto das ações desenvolvidas pela instituição, a Casa Azul Felipe Augusto tem enfrentado um grande desafio durante a pandemia do novo coronavírus. A coordenadora da entidade, Iracema Moreira, 42, explica que muitas das doações recebidas nos últimos quatro meses foram arrecadas de parcerias com apoiadores que ajudaram a manter esses recursos. “Mas, no último mês, muitos finalizaram o período de entrega e estamos precisando de mais apoio nesse sentido. Esse mês de agosto não sei se conseguiremos manter a quantidade de alimentação para todas as famílias”, explica.
Segundo Iracema, de março a julho, foram doados 4.360 cestas e kits de higiene que beneficiaram, aproximadamente, 17 mil pessoas em situação de vulnerabilidade social. “Sabemos que muitas famílias vão precisar da continuidade da ajuda e pretendemos conseguir suprir essa necessidade. Muitos perderam o emprego, estão na fila de análise do auxílio e não podem sair para trabalhar. Queremos proporcionar um acalanto para essas famílias, minimizar o impacto da situação atual. Nem em um pesadelo a gente ia imaginar que isso aconteceria”, afirma.
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Além do amparo assistencial, a entidade também busca apoio para adequar os espaços da instituição com os protocolos de segurança para evitar a propagação da covid-19. “Precisamos de totens, sanitizantes, álcool em gel… Toda essa estrutura para reabertura assim que for autorizado o retorno das escolas”, pontua. A instituição, que atua há mais de 20 anos no Distrito Federal, oferece — em contraturno escolar — oficinas de artes, teatro, música, dança, informática e orientação pedagógica e formação profissional a mais de 2 mil crianças e adolescentes de 6 a 17 anos. Por meio de parcerias, a entidade também possibilita a inserção dos jovens no mercado de trabalho na modalidade aprendiz.
Segundo a coordenadora, a expectativa é de retorno gradual com redução na grade horária. Para as turmas com crianças de 6 a 10 anos, o atendimento presencial será três vezes na semana. Aos maiores de 11, duas vezes na semana. “No entanto, mesmo com a redução, queremos manter o vínculo com eles e propor atividade a distância para minimizar os riscos de vulnerabilidade social”, esclarece.

Ajuda

Quem quiser ajudar a instituição, pode entrar em contato pelo telefone 3359-2095 ou ir à sede em Samambaia, na QN 315, Conjunto F — lotes 1/4. A casa não fechou as portas, mesmo com as atividades suspensas, o atendimento à comunidade para quem precisa está sendo feito com equipe reduzida. Se for necessário, Iracema Moreira explica que a entidade busca as doações onde for solicitado, e há, também, a possibilidade da transferência bancária.
A entidade também está na lista dos contemplados na campanha Doar é Ser + Brasília, realizada em parceria com o Correio Braziliense e o Conselho de Entidades de Promoção e Assistência Social (Cepas). A ação, lançada em abril, busca dar esse suporte às entidades e famílias carentes do Distrito Federal. As doações, concentradas em sua maioria por transferência bancária, são rateadas entre as 40 instituições participantes da campanha. O valor arrecadado é utilizado para comprar alimentos e produtos de higiene pessoal.
De acordo com a presidente do Cepas, Daise Lourenço Moisés, foram arrecadadas 720 cestas desde o início da ação. “O que impactou positivamente na vida de cerca de 3 mil pessoas”, destaca Daise. No entanto, houve uma diminuição na oferta de doadores. “Tivemos três ciclos de entrega, no primeiro, conseguimos montar 520 cestas. O que resultou em 13 cestas para cada instituição. No segundo e terceiro a quantidade caiu para 10 cestas, divididas para 20 entidades”, explica.
Entre as instituições atendidas pela ação estão casas de abrigos para idosos e crianças, creches que continuam dando assistência às famílias e entidades de amparo social para deficientes de várias regiões do Distrito Federal. Para conhecer mais o projeto e quem são os atendidos, além do retorno das ações, acesse o site www.doaresermaisbrasilia.org.

Como ajudar

Campanha Doar é Ser Brasília
Depósito bancário
Cepas DF – CNPJ: 03.603.958/0001-65
Banco BRB
Código: 070
Conta: 050.032211-2
Banco BB
Agência: 7006-8
Conta: 5.892-0
Mais informações: www.doaresermaisbrasilia.org
Telefone: 3274-0914 / 9 9155-6957 / 9 9219-6508
(WhatsApp)
Casa Azul 
QN 315, Conjunto F – lotes- 1/4, Samambaia
Mais informações: www.casazul.org.br
Telefone: 3359-2095

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