Assintomáticos causaram quase 60% dos casos de Covid-19, diz pesquisa

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Estudo realizado pelo CDC de Atlanta sugere que isolamento de casos confirmados não é suficiente para deter a pandemia

ATUALIZADO 07/01/2021 17:25

MáscaraRICARDO WOLFFENBUTTEL/GOVERNO DE SC
Um estudo realizado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) de Atlanta, nos Estados Unidos, mediu o nível de transmissão do Sars-CoV-2 entre indivíduos pré-sintomáticos, assintomáticos (sem sintomas) e sintomáticos.

A partir da uma meta-análise de oito estudos da China, os pesquisadores chegaram à conclusão de que 59% de toda a transmissão analisada veio de pessoas sem sintomas, compreendendo 35% de indivíduos pré-sintomáticos e 24% de indivíduos que nunca desenvolveram sintomas.

A pesquisa usou como base o pico da doença no quinto dia após a infecção, porém os cientistas avaliaram diferentes momentos do pico de infecciosidade em relação ao início da doença e variadas proporções de transmissão de indivíduos que nunca apresentaram sintomas.

Quando o ápice da infecção ocorreu no quarto dia (ou seja, um dia antes da média utilizada na pesquisa), a taxa de transmissão de assintomáticos e pré-sintomáticos saltou para 67%. Para os casos em que o pico da doença ocorreu no sexto dia pós-infecção, a taxa de transmissão assintomática foi de 51%.

O levantamento mostrou, ainda, que 30% dos indivíduos infectados nunca desenvolveram sintomas, porém foram 75% mais contagiosos que os sintomáticos. Os resultados da pesquisa foram publicados no portal científico Jama Network.

Os dados revelam, de acordo com os pesquisadores, que a identificação e o isolamento de pessoas infectadas pelo Sars-CoV-2 não são medidas suficientes para controlar a propagação do vírus. “Essas descobertas sugerem que medidas como uso de máscaras, higiene das mãos, distanciamento social e testes estratégicos de pessoas que não estão doentes serão fundamentais para retardar a disseminação da Covid-19 até que vacinas seguras e eficazes estejam disponíveis e amplamente utilizadas”, afirmou Jay C. Butler, especialista do CDC e um dos principais autores do trabalho.

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