170 mil habitantes do DF vão ser atendidos pelo subsistema produtor de Águas do Bananal.

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Obras vão ao menos aliviar a crise hídrica, dizem especialistas.                             ( Jornal de Brasilia)

Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília

Gláucia Cardoso
redacao@jornaldebrasilia.com.br

As obras em andamento para captação de água são uma esperança de, ao menos, uma trégua na crise hídrica, dizem especialistas. Uma delas é o subsistema produtor de água do Bananal, no Parque Nacional de Brasília, visitado nesta quarta-feira (22) pelo governador Rodrigo Rollemberg. A obra tem vazão média de 726 litros por segundo e vai atender cerca de 170 mil habitantes. A conclusão está prevista ainda para este ano.

O investimento da obra, que vai incluir a captação e o bombeamento da água para a Estação de Tratamento de Água Brasília, é de R$ 20 milhões. O pesquisador Sérgio Koide, do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da UnB avalia que o volume do subsistema é significativo para minimizar a crise hídrica no DF.

“A água acrescida ao sistema é considerável e será colocada na estação de tratamento existente, aliviando a necessidade de retirada do reservatório Santa Maria”, pontua Koide. “Como a estação a ser utilizada já existe, o custo dessa alternativa é muito baixo se comparado a outras opções de produção emergencial de água potável, como o Lago Paranoá”, completa.

O subsistema será integrado ao Santa Maria-Torto, para reforçar o abastecimento em 11 regiões administrativas. Para pesquisador Jorge Werneck, da Embrapa Cerrado, a união dos sistemas apenas minimizará a crise hídrica. “A captação do Lago Paranoá e o subsistema possuem vazão média de 700 litros por segundo, 1.400 litros de água é um número considerável. A essa altura, a medida é significativa, mas não supera todo o déficit que estamos vivendo no momento”, alerta.

Ainda segundo Werneck, que é presidente do Comitê de Bacia do Paranoá e Descoberto, o governo está trabalhando em duas linhas para solucionar os problemas: “A redução do consumo, com a tarifa de contingência e o rodízio, e o aumento da oferta de água por meio das obras”. “Uma medida a longo prazo é o da barragem de Corumbá IV, que contribuirá para uma situação mais confortável”, conclui.

Sérgio Koide também acredita que a medida minimizará a crise. “Essas alternativas não resolvem, mas aliviam a intensidade”, diz o doutor em recursos hídricos.

As intervenções da primeira grande obra desde a Bacia do Pipiripau, há 16 anos, começaram em novembro passado. Blocos e cintas da subestação foram concretadas, e as fundações da elevatória que direcionará a água para o sistema Santa Maria-Torto estão prontas.

PONTO DE VISTA

O pesquisador Gustavo Souto Maior constata que a crise também é resultado do crescimento populacional, e aponta que o sistema só beneficiará uma pequena parcela da população. “O Distrito Federal tem em torno de três milhões de habitantes, o subsistema vai atender cerca de 5% da população. Estamos vivendo a crônica de uma morte alertada há 20 anos. Temos que aprender a viver com pouca água durante o ano todo”, sugere especialista em Educação Ambiental.

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