Grilagem: filho de bombeiro preso é proprietário de prédio que desabou em Vicente Pires

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O bombeiro da reserva do Corpo de Bombeiros Militar (CBMDF), preso no início desta sexta-feira (12) por liderar uma associação criminosa responsável pelo parcelamento irregular terrenos em várias regiões do DF, já era conhecido pelas autoridades. De acordo com a Policia Civil do Distrito Federal, Carlos Eduardo de Andrade Muniz, 45, já estava envolvido em outros escândalos envolvendo construções ilegais. Para se ter uma ideia, o prédio que desabou em outubro do ano passado em Vicente Pires, estava no nome de seu filho, Lucas de Souza Muniz.

De acordo com a delegada-chefe da Delegacia Especial de Proteção ao Meio Ambiente e à Ordem Urbanística (DEMA), Marilisa Gomes, o bombeiro estava envolvido na construção de vários prédios irregulares da região. “A maioria dos prédios de Vicente Pires tem a ‘mão’ dele”, diz. No entanto, a delegada lembra que as prisões de hoje não têm relação com o caso do desabamento. Todas as cinco prisões deflagradas foram relacionadas aos parcelamentos irregulares da chácara 12, da Colônia Agrícola Águas Claras, no Guará.

A polícia estima que o grupo tenha lucrado cerca de R$ 5 milhões com a venda dos lotes, de 500m² e 900m², que eram distribuídos por valores que variavam de R$ 250 mil a R$ 300 mil. Ao todo, foram identificados 21 lotes construídos na chácara, 15 residenciais e seis comerciais. Todos foram construídos sem nenhuma autorização legal dos órgãos responsáveis.

De acordo com a delegada, os compradores correm o risco de terem suas casas derrubadas. “Mas, também existe a chance de o governo fazer com que eles paguem pelos terrenos novamente”, completa. Marilisa lembra que é obrigação da pessoa saber sobre a procedência do lote que planeja comprar.

As investigações também realizaram 11 mandados de busca e apreensão nas regiões do Guará, Vicente Pires, Taguatinga, Águas Claras, Gama e Samambaia. Foram apreendidos notebooks, celulares, computadores, documentos e cheques bancários.

Todos os presos serão indiciados pelos crimes de associação criminosa, parcelamento irregular de solo, lavagem de dinheiro e dano ambiental. As penas somadas podem resultar em até 13 anos de prisão. O bombeiro já tinha assinado 13 termos circunstanciados e respondia por outros dois inquéritos também relacionados a grilagem de terrenos.

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