Casa Azul celebra 30 anos e anuncia construção de centro de formação

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Na festa de 30 anos da Casa Azul, nesta terça-feira (29/10), foi lançada a pedra fundamental do centro de formação que vai oferecer cursos gratuitos na sede da ONG, em Samambaia
JA Juliana Andrade

A Casa Azul Felipe Augusto completou nesta terça-feira (29/10) 30 anos, e o presente vai para mais de 3 mil pessoas que poderão ser atendidas com a expansão do espaço em Samambaia. A festa reuniu, na sede, educandos, funcionários, diretores, colaboradores e parceiros para o lançamento da pedra fundamental da construção de um centro de formação.

Desde 1989, a Casa Azul dedica-se à inclusão social de crianças, jovens e adultos do Distrito Federal. A instituição oferece oficinas de artes, teatro, música, dança, informática, atividades esportivas, orientação pedagógica e formação profissional. Além disso, facilita a entrada dos educandos no mercado de trabalho.

A organização não governamental (ONG) começou atendendo a cerca de 120 crianças e, em três décadas, já contribuiu para a inserção social de mais de 33 mil pessoas, de 6 a 24 anos. “O trabalho teve início quando eu perdi um filho e passei a me questionar sobre o que eu poderia fazer a mais pela sociedade. No intuito de aliviar a minha dor, eu fui aliviar a dor dos outros, e a minha, automaticamente, foi sendo curada”, destaca Daise Moisés, diretora da Casa Azul.

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Daise não imaginava o quanto a instituição cresceria. Atualmente, são quatro espaços: a sede e o anexo ficam em Samambaia; as outras unidades estão no Riacho Fundo II e no Clube AABB. Para arcar com os custos, há convênios com o setor público e parcerias com empresas privadas, além de doações.

Orquestra formada por alunos locais tocou na cerimônia de aniversário da instituição(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Orquestra formada por alunos locais tocou na cerimônia de aniversário da instituição
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Mercado de trabalho
O músico Wellington Rodrigues, 27 anos, lembra que o primeiro contato dele com o mercado de trabalho foi por meio da Casa Azul, em um estágio no Banco do Brasil. “Eu frequento a Casa desde os meus 3 meses de vida. Minha mãe era voluntária e não tinha onde me deixar, então eu entrei no projeto e fui um dos primeiros educandos a sair direto para um emprego”, relata.

O jovem aproveitou para agradecer os colaboradores que ajudam a ONG a continuar o trabalho social. “Eu fui beneficiado, mas Deus vai abençoar, e, um dia, eu vou poder ajudar também.”
O poder da arte
A música da festa ficou a cargo da orquestra formada por alunos da própria instituição. Julio Cesar Andrade, 15, frequenta a Casa Azul desde 2012 e toca saxofone no grupo. “Eu aprendi a tocar aqui. O maestro faz um trabalho muito bom, pois ensinar música para esse tanto de gente e formar uma orquestra é algo incrível”, enfatiza.

A entidade com sede em Samambaia também levou a arte para a vida da bailarina Patricia Victoria, 32. Ela entrou quando tinha 10 anos. “Eu não sabia o que era balé e aqui eu tive a chance de fazer aulas com uma professora e vi que era isso que eu queria para minha vida”, diz. Patrícia conta que, por meio do projeto, conseguiu entrar em uma escola de balé. Hoje, ela é formada em administração e cursa licenciatura em dança. “A Casa Azul foi a oportunidade de ver e conhecer o mundo, de sair de uma condição de vida medíocre”, acrescentou.

Expansão
Para ampliar o atendimento, um centro de formação será construído na sede e receberá cursos gratuitos de qualificação. A estrutura será erguida com recursos do Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente do Distrito Federal (FDCA), por meio do projeto Construindo Sonhos. A iniciativa possibilita a arrecadação de parte do Imposto de Renda. Do total de recursos doados pelo contribuinte, 20% fica no fundo.

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“Quem buscou o serviço da casa sabe que aqui é possível sonhar, e os sonhos se tornaram realidade. Hoje, estamos lançando a pedra fundamental. Os recursos captados ainda não são suficientes, mas vamos começar, porque acreditamos que nossos sonhos aqui também se tornarão realidade”, destaca Daise.

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